02 Junho 2011

Porque não uma GREVE BRANCA??

Greve nos transportes públicos das grandes cidades brasileiras não é novidade alguma, em São Paulo então nem se fala, uma das últimas foi de funcionários de uma empresa que não queriam que as multas de trânsito fossem descontadas de seus holleriths.

Vejam bem, os motoristas de ônibus tem carteira especial para dirigir, são obrigados a passar por testes e treinamentos, são ensinadas à exaustão as regras básicas de trânsito, como parar no farol vermelho, não dirigir na contramão, respeitar os limites de velocidade, etc. Infringem estas regras, somos testemunhas das barbáries que muitos praticam no trânsito, diariamente acontecem acidentes cuja causa evidente é o erro humano, e depois fazem uma greve para que as punições, que sequer estão sendo aplicadas pela empresa, mas pela autoridade de trânsito, sejam pagas pelo empregador?

Se existe uma indústria de multas? Sim, é óbvio, mas que se faça uma greve, uma manifestação, contra esta indústria, não contra os usuários que nada tem a ver com a questão, muito menos contra o patrão que está apenas repassando a penalidade pelo descumprimento de uma norma legal do seu funcionário.

Ontem e hoje, em plena C40, os sindicatos mais obsoletos dos funcionários do transporte público, decretaram uma greve generalizada em vários modais de transporte, colocando quase cinco milhões de usuários em situação vexatória, de submissão a condições subumanas na busca por alternativas para chegar na residência ou no trabalho. Muitos pais e mães de família saem de casa com o dinheirinho contado da passagem de ida e volta para o trabalho, com a greve, foram obrigados a embarcar em velhas kombis que cobravam até R$ 10,00 para um trajeto de 10km, pior ainda, na maioria dos terminais, nas primeiras horas da greve, os passageiros pagavam a passagem na entrada sem saber que não teriam seu ônibus ou trem, tiveram que desembarcar e perder o dinheiro. Parece pouco?? Perguntem ao trabalhador médio da grande S. Paulo se é pouco.

E o que querem os grevistas? Um aumento salarial, que não vou entrar no mérito, mas, se é do patrão que se quer arrancar alguns Reais a mais, se é uma greve contra o empregador, porque quem menos sofre é o empregador?? Afinal, deixam de faturar um pouco (porque muitas passagens foram pagas sem que o serviço fosse prestado), vão descontar os dias parados dos trabalhadores, os governos reembolsam as empresas não apenas pelo número de pessoas transportadas, mas pelo conjunto dos serviços prestados, enfim, acabam tendo pouco ou nenhum ônus.

Se fosse uma greve realmente apoiada por uma maioria pacífica dos trabalhadores e não por uma minoria radical, que impõe a greve por intimidação, até mesmo física, daqueles que querem trabalhar, eles fariam uma “greve branca”.

E o que é uma “greve branca”? Simples, sairiam com seus veículos para prestar o serviço de transporte público, mas travariam as catracas, liberariam as bilheterias, transportariam o povo de graça. Garanto que em dois minutos se abriria um canal de negociação e os trabalhadores grevistas ainda seriam aplaudidos pela população.

É muito difícil afirmar, com segurança, se as reivindicações de trabalhadores em greve são justas ou não, afinal, só vivendo a realidade deles para poder dar alguma opinião devidamente balizada. Mas há greves e greves, há meios e meios.

Sabemos que a interferência política nessas questões, muitas vezes, se sobrepõe aos interesses dos trabalhadores, a coincidência dessa última greve com a C40 para mim, não foi um mero acaso, com certeza, há interesses de outra ordem que vão além da defesa dos interesses dos trabalhadores. Muitos sindicalistas acreditam que fazer o povo sofrer fazem com que a ira da população se volte apenas contra as autoridades. Ledo engano.

Quanto às autoridades, em matéria de transporte público, sabemos que a incompetência é a rainha-mãe, é incrível como eles conseguem se surpreender até mesmo com greve que tem data marcada para acontecer, pode isso ?? Então, acho que nem são dignas de qualquer comentário adicional, até mesmo depreciativo.

29 Maio 2011

Quando agente tem que ter medo da polícia, é porque tem algo muito errado!

Uma das coisas que lembro da minha infância, principalmente quando comecei a ir sozinho para lugares distantes, é a recomendação que meu pai fazia para que, em qualquer situação de dificuldade, que eu procurasse um policial fardado, uma viatura policial. Lembro-me das “baratinhas”, as viaturas do modelo Fusca, nas cores preta e vermelha, que impunham respeito com seus guardas impecavelmente vestidos em uniformes marrons e quepes brilhando. Já as “barcas” cinzas eram de meter medo em qualquer um, principalmente se fossem da ROTA. Polícia era polícia e ladrão era ladrão.
Não sei se a minha percepção está equivocada, mas penso que ultimamente a quantidade de policiais que estão sendo acusados de envolvimento em crimes tem aumentado muito, não sei dizer se o que aumentou foi a participação em crimes ou se as investigações é que estão mais eficientes, uma coisa é certa, quase todos os dias o noticiário apresenta um novo caso.
E porque eu resolvi escrever sobre este assunto? Por uma simples razão, enquanto os que deveriam cuidar da questão da segurança não for exemplo para a sociedade, enquanto a grande maioria dos policiais, honestos e trabalhadores, não purgar a polícia dos maus policiais, a luta contra o crime estará fadada ao fracasso. Um sucesso ali, outro aqui, mas a longo prazo, a mazela se perpetuará.
Em SP, 26 PMs são investigados por roubar caixas eletrônicos
A maior parte dos quase 70 furtos e roubos a caixas eletrônicos neste ano no Estado de São Paulo é investigada pelo Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), da Polícia Civil, como cometida por uma quadrilha formada por 26 policiais militares, grande parte deles em atividade na PM.
Na madrugada de sábado, dois PMs foram presos em flagrante pelo GOE (Grupo de Operações Especiais), da Polícia Civil, dentro da agência do Banco do Brasil, no Jabaquara (zona sul de São Paulo). Eles tinham explosivos para arrombar os caixas.
Um terceiro PM, que estava fardado e é investigado sob suspeita de dar cobertura aos dois, também foi preso. Esse PM dava, segundo o GOE, informações sobre a movimentação dos carros da própria Polícia Militar na área do banco invadido.
Além dos 26 PMs, outras 15 pessoas também são investigadas pelo Deic como responsáveis pelos roubos e furtos de caixas eletrônicos.
Na última semana, a Justiça determinou a prisão de quatro desses 26 PMs investigados. Um ex-PM que está fora do Estado de São Paulo atualmente é considerado o chefe da quadrilha.
Do início do mês até a última quarta-feira, a Folha levantou 16 casos de roubos e furtos a caixas eletrônicos só na Grande São Paulo. A onda de arrombamentos, que são feitos com o uso de maçaricos ou explosivos, tem levado comerciantes a desativar seus terminais.

20 Janeiro 2011

Brinquedos Nacionais x Importados - Os contrabandistas agradecem!

No apagar das luzes do governo passado, a CAMEX aumentou o imposto de importação dos brinquedos para 35%, sob a alegação de que a indústria nacional estava sendo destruída pelas importações.

Este argumento de defesa comercial até pode servir de base para inúmeros setores, mas, para o setor de brinquedos, é absolutamente inaplicável, pois este é um mercado muito específico, onde pesa menos a razão e prevalece a emoção na decisão de compra.

Quando uma garota quer uma Barbie Cinderela, não adianta você lhe dar dez Barbies Sereias, muito menos 20 Suzis, pois ela quer aquela que acabou de ver num filme e os pais só não vão comprar a escolhida se for absolutamente impossível economicamente.

Os maiores sucessos de venda são os produtos licenciados da poderosa indústria cinematográfica americana, que criam super heróis, personagens, cenários, mundos imaginários, tudo absolutamente fantástico, que fascinam e conquistam as crianças de todas as partes do mundo, de todas as raças e credos.

Quando se produz um filme infantil, principalmente os desenhos animados, cada detalhe, cada objeto, já são concebidos sob a perspectiva da fabricação de um brinquedo e, não são raros os casos onde as indústrias antecipam recursos para a produção do filme, como pagamento antecipado dos direitos sobre o licenciamento de produtos.

Se um estúdio vai licenciar um novo super herói, um novo tema, quem eles vão escolher? Uma indústria nacional de um país em desenvolvimento ou uma indústria global, um player mundial?

Voltando para o mercado brasileiro, qual é o nosso último super herói? Patrulheiro Rodoviário? Supla? Angélica? Xuxa? Qual a nossa última grande produção cinematográfica para crianças? Menino Maluquinho??

Há também um componente político-ideológico que inibe as produções culturais com forte cunho econômico-capitalista, ou seja, as poucas produções cinematográficas, até porque acabam se utilizando de recursos públicos ou captados por mecanismos de renúncia fiscal, se sentem compelidas na produção do politicamente correto, de caráter estritamente cultural.

Dessa forma, fica difícil competir com Ben 10, Toy Story, Tarzan, Homem Aranha, Cars, Bakugan, e outros milhares de temas criados em Hollywood, que são concebidos para ganhar dinheiro, e não se envergonham disso, podem até incluir temas lúdicos, mas o lucro é a meta.

Não sei se os dirigentes da ABRINQ tem filhos pequenos, mas, gostaria de saber qual brinquedo nacional eles oferecem para suas crianças, quando estes pedem, por exemplo o ALIEN tal, do filme XYZ?? Será que eles dão um bonequinho do SUPLA? Será que eles conseguem facilmente substituir o ídolo de uma criança, o sorriso inebriante do filho, por outro bonequinho nacional mais baratinho?

A resposta, embora jamais admitida, é óbvia, será dado o ALIEN e eles terão poucas opções de compra, ou compram numa loja, que vende o brinquedo de uma importação oficial e pagam caro, ou terão que encomendar para um amigo viajante e, na falta deste, terão que recorrer ao mercado negro, do contrabando, das “25 de março” e “Pajés” da vida.

Portanto, os contrabandistas agradecem à ABRINQ pelo grande feito, afinal, fazer o contrabando de brinquedos agora será muito mais rentável, pelo menos por um ano, que é a duração da equivocada decisão da CAMEX, se não for prorrogada.

O maior competidor do brinquedo nacional não é o brinquedo importado formalmente, que vai pagar os 35% de imposto de importação, o maior concorrente do brinquedo nacional e também do importado legalmente é o brinquedo importado por contrabando, pois, este último, não paga nenhum imposto, seja ele de 12%, seja ele de 35%. 

Quanto mais se dificulta ou encarece a importação legal de um produto, mais se fortalece o contrabando e a falsificação. A esperança é que, ao final desse ano, a ABRINQ perceba que esta medida é um tiro no próprio pé.

Uma sugestão para a indústria nacional é fomentar as produções cinematográficas infantis brasileiras, sem renúncia fiscal, que criem personagens, temas e ídolos vendáveis como brinquedos. Quem sabe esse casamento da indústria cinematográfica brasileira e a indústria nacional de brinquedos não seja promissor?

03 Dezembro 2009

Como segurar o Dólar ?

Em maio de 2007 em publiquei um post aqui no meu blog, fazendo algumas sugestões para a estabilização do valor do dólar, em patamares sustentáveis para a economia brasileira. Já naquela época, antes da crise econômica, sofríamos com a baixa cotação do mesmo, ou como preferem alguns, com a sobrevalorização do Real. Nada se fez ou, para não ser injusto, pouco se fez, veio a crise, houve um pequeno momento em que o Real perdeu valor frente ao Dólar, mas eis que, passada a marolinha, voltamos ao Brasil dantes.


A novidade é que agora essa questão é tão grave, que foi criado um imposto sobre os investimentos estrangeiros, sob a alegação de que seriam capitais especulativos, com passagem relâmpago sobre as terras tupiniquins, a grande causa da sobrevalorização do Real.

O fundamento não é muito discutível, é uma decisão técnica plausível, que pode muito bem ser aplicada em momentos como esse, embora, eu entenda que não é este imposto que vai afetar a cotação das moedas, por outro lado, a forma como foi implementado é totalmente absurda, pois taxa todos os investimentos, não distinguindo os que vem para permanecer por um longo prazo, ou seja, os investimentos saudáveis, dos que vem por alguns segundos para tirar proveito da nossa exorbitante taxa de juros e lucros tresloucados da nossa bolsa. Se o objetivo era atingir o capital especulativo ele também tinha que ser seletivo, ou seja, incidiria apenas sobre determinadas aplicações, típicas de curto prazo, ou, como eu acho mais apropriado, estipular-se-ia um prazo mínimo de 30 dias, ou 60, para que o imposto fosse devido, passado esse prazo, o investimento poderia retornar sem tributação.

A questão é que esse tipo de medida tem mais um efeito psicológico que monetário, ou seja, se fosse seletivo, o investidor teria que fazer as contas entre manter ou não o investimento a longo prazo, como a tributação é genérica, sobre todos os investimentos, o investidor não para analisar isso, carrega no custo e, sendo vantagem, não deixa de vir para nosso mercado. Se eu sou investidor e tenho duas opções de rentabilidade, uma se eu deixo por um curto prazo, outra maior se deixo aplicado por um longo prazo, se eu puder, vou deixar por longo prazo, vou fazer planejamentos que me permitam investir por longo prazo. Mas, infelizmente, do jeito que foi implementada a tributação, não existe a discussão, portanto, não há mudança de comportamento.

Mas, mantenho minha concepção original sobre a grande causa do problema, que é a questão da burocracia brasileira sobre o mercado de câmbio, apesar de termos um mercado livre na negociação das moedas, as regras cambiais brasileiras são as mais fechadas do mundo, são as mais burocráticas possíveis. Não se permite à residente ter depósitos em moedas estrangeiras no Brasil, apenas no exterior, não se permite a aplicação de recursos captados internamente no mercado internacional, os exportadores são obrigados a vender suas moedas quando recebem aqui no Brasil, tema a opção de manter uma parte no exterior, mas, se trouxer os dólares para cá, tem que vender. Tudo é centralizado no Banco Central, são poucos os operadores autorizados a comprar e vender, enfim, são regras anacrônicas, algumas delas vigentes ainda da época da criação do Banco Central.

Se o governo quer equilibrar o valor do Real, tem que destravar o mercado, tem que permitir aos bancos brasileiros aplicar no exterior em moeda estrangeira, tem que permitir às empresas brasileiras e, porque não, aos residentes brasileiros, a ter conta em moeda estrangeira aqui dentro do país, a compra e venda de moeda deveria ser livre, colocaria definitivamente um fim nos doleiros, a entrada e saída de capitais deveriam passar apenas pelas entidades financeiras, sem depender da intervenção do BC, ainda que seja de forma eletrônica, ao BC, caberia apenas fiscalizar as instituições e manter os registros, nada mais que isso, como acontece nos países mais civilizados sob este aspecto.

Enquanto isso, tome bugigangas importadas...

26 Outubro 2009

Basta Fechar ??

Essa notícia do fechamento da Fundação Sarney é algo simplesmente inaceitável ( http://migre.me/9WEU ), isso só faz com que, tanto esta história, quanto o nosso próprio país, seja o mais folclórico possível. Quando qualquer cidadão da planície precisa fechar uma empresa, por menor que seja, até mesmo encerrar um cadastro de autônomo, o calvário é tamanho que 90% simplesmente deixam de ser encerradas legalmente. Como pode essas Ong´s receberem tanto dinheiro, sob a "alcunha" de patrocínio cultural, sem precisarem prestar conta para ninguém, ou, quando prestam, são para seus próprios apadrinhados ? e o pior... qual o argumento para o encerramento das atividades ??  falta de dinheiro... é piada ou não é ??

E o que falar das Ong´s ligadas aos sindicatos e MST´s da vida ?? recebem milhões para treinar trabalhadores, reciclar mão de obra, etc..  você conhece alguém que tenha feito algum curso de graça por estas Ong´s ?? eu também não....

Mas ninguém presta conta, quando presta, informam uma relação de nomes fantasmas que ninguém se dá ao trabalho de conferir, ao menos, se as pessoas listadas que fizeram os cursos existem de fato, fazer o básico, que seria contactar uma pequena amostra dessas pessoas para se certificar de que os cursos foram dados, isso então, é algo impossível de ser feito, como se fôssemos feras bestiais a pedir o impossível.

A cada dia os jornais colocam o Senado e joelhos, humilha nossos políticos, já que a comissão de ética não cumpriu seu papél básico que era investigar, já que Mercadante roeu a corda e amarelou, renunciando ao irrenunciável, só resta mesmo a humilhação de assistir à conta-gotas as novas denúncias...  e olha que a campanha eleitoral nem começou, Lula que não se cuide com seus aliados...