Tudo a ver. É lamentável que, no Brasil, apenas as grandes tragédias possuam o condão de proporcionar mudanças, avanços, discussões, em quaisquer que sejam os temas.
É de longa data que todos os especialistas, todos os trabalhadores envolvidos com o transporte aéreo, reclamam por melhorias estruturais do Aeroporto de Congonhas. Também é velha a notícia de que a burocracia estatal retém os recursos, disponíveis com fartura, obtidos com as exorbitantes taxas cobradas dos passageiros. Não é novidade que, do pouco que se destina para estas obras, grande parte escorra pelos ralos da corrupção, possível graças a burocracia. Editais são cancelados, obras imprescindíveis são postergadas, graças à burocracia.
Costuma-se dizer que a burocracia é um monstro de sete cabeças, que atormenta a vida do brasileiro, que talvez seja a única razão desse país viver no atraso em que nos chafurdamos, mas, eu diria que a burocracia é um monstro sem cabeça, com inúmeros tentáculos, pernas, braços, rabos e ferrões, que ferem mortalmente qualquer cidadão, da classe A a Z, doutores e analfabetos, religiosos e ateus, todos os vivos e, por que não, os mortos.
Sem cabeça porque, quando as mazelas da burocracia se manifestam, não aparece o pai da criança, não se consegue identificar quem, de fato e de direito, causou a tragédia, até mesmo porque, com razão, ninguém é de fato culpado, porque a burocracia é difusa.
Com essa nova tragédia, a certeza é a mesma, comissões, forças tarefas, grupos de trabalho serão criados, para apurar as causas do acidente, como se elas fossem desconhecidas; culpados? jamais existirão, pois a burocracia, difusa como é, jamais mostrará o rosto, a cabeça ou “o cabeça”. O monstro sem cabeça !
A burocracia pode ser difusa, mas, as conseqüências são bem objetivas, a nova tragédia aérea da Tam é uma prova cabal disso.
Essa burocracia é a mesma que impediu que diversos concursos para controladores fossem postergados, é a mesma burocracia que impediu a modernização dos nossos radares.
É a mesma burocracia que derrubou o avião da Gol.
É a burocracia que preferiu embelezar o Aeroporto de Congonhas, quando todos sabiam que a segurança era pífia. É a mesma burocracia que não conseguiu identificar os riscos do pouso na pista "recuperada" do aeroporto, mesmo depois de um avião da aviação Pantanal ter derrapado na pista molhada.
É a burocracia que derrubou o avião da Tam.
É a burocracia que enluta o BRASIL !
O presidente Lula acaba de convocar uma reunião de emergência, com assessores, ministros, etc.... a pergunta que não quer calar é, para que essa reunião ??? para saber como dar os pêsames às famílias? Para descolar um jeitinho de tirar proveito político do evento? ou para decidir um pacote de investimentos nos aeroportos brasileiros? Para decidir que os cortes de orçamento do setor não serão mais concretizados, conforme decidido em reuniões de igual calibre ? ou essa reunião será mais um dos tentáculos da burocracia em ação.
Quantas tragédias serão necessárias para acordar o povo brasileiro ? quando vamos reagir ?
17 Julho 2007
06 Junho 2007
Para avaliar os salários dos parlamentares brasileiros
Carlos Sardenberg: Rádio CBN
O salário dos deputados da Câmara dos Comuns, da Inglaterra, o mais antigo parlamento do mundo, é de US$ 118 mil, ou US$ 9.800 por mês, ou cerca de R$ 19.500. Nas verbas adicionais que os parlamentares recebem, para escritórios, viagens e pagamento de funcionários, os ingleses recebem US$ 14 mil por mês.
Somando todas as verbas pagas ao deputado, como salário e para exercício da função, incluindo pagamento de funcionários, o custo total mensal por parlamentar é US$ 31,2 mil.
Para o parlamentar brasileiro, esse custo passa fácil dos US$ 50 mil.
Outra comparação: o custo total da Câmara dos Comuns, todo o gasto para seu funcionamento, dividido pelo número de parlamentares, dá R$ 3 milhões/ano. No Brasil, o orçamento da Câmara dos Deputados para este ano é de R$ 3,2 bilhões. Dividido pelos 523 deputados, temos um custo por parlamentar de R$ 6,2 milhões.
O PIB per capita da Inglaterra é de US$ 36,7 mil/ano. O do Brasil, US$ 5 mil. É, sim, um escândalo.
O salário dos deputados da Câmara dos Comuns, da Inglaterra, o mais antigo parlamento do mundo, é de US$ 118 mil, ou US$ 9.800 por mês, ou cerca de R$ 19.500. Nas verbas adicionais que os parlamentares recebem, para escritórios, viagens e pagamento de funcionários, os ingleses recebem US$ 14 mil por mês.
Somando todas as verbas pagas ao deputado, como salário e para exercício da função, incluindo pagamento de funcionários, o custo total mensal por parlamentar é US$ 31,2 mil.
Para o parlamentar brasileiro, esse custo passa fácil dos US$ 50 mil.
Outra comparação: o custo total da Câmara dos Comuns, todo o gasto para seu funcionamento, dividido pelo número de parlamentares, dá R$ 3 milhões/ano. No Brasil, o orçamento da Câmara dos Deputados para este ano é de R$ 3,2 bilhões. Dividido pelos 523 deputados, temos um custo por parlamentar de R$ 6,2 milhões.
O PIB per capita da Inglaterra é de US$ 36,7 mil/ano. O do Brasil, US$ 5 mil. É, sim, um escândalo.
30 Maio 2007
Sugestão para estabilizar a cotação do Dólar
Todos os governantes brasileiros sempre gostaram de apregoar que o país tem um câmbio livre, flutuante, mas esquecem de citar um dos principais entraves cambiais existentes no Brasil, que é a centralização.
Quando um exportador recebe pelas mercadorias que vendeu, todos os dólares enviados, obrigatoriamente, devem ser vendidos no mercado, transformado em reais, que serão depositados na conta do exportador, no Brasil, sendo que apenas 30% do valor das exportações podem ser mantidos no exterior para pagamentos de despesas realizadas no exterior.
Da mesma forma, um importador, para pagar as mercadorias que comprou, tem que comprar dólares no mercado, transformar reais em dólar, e remeter os dólares comprados ao exterior. Mesmo que este importador seja também um exportador, ele só pode usar no máximo o valor de 30% das exportações deixados no exterior para custear suas importações.
Portanto, mesmo quando o exportador não precisa dos "reais", ele não pode manter os dólares no país, para vender no mercado interno quando for conveniente, ou para pagar suas importações, quando for o caso.
Apenas algumas poucas categorias de empresas podem ter contas em moeda estrangeira dentro do Brasil, portanto, considerando o superávit comercial brasileiro, há uma oferta forçada de dólares no mercado interno, já que as empresas são obrigadas a vender os dólares.
A minha sugestão é que todas as empresas exportadoras, bem como as subsidiárias de empresas estrangeiras, sem maiores burocracias, sejam autorizadas a ter contas em moedas estrangeiras no Brasil, que estes recursos possam ser aplicados no exterior, tanto pelas instituições financeiras locais, quanto pelos próprios detentores dos recursos, além disso, que as instituições financeiras locais sejam autorizadas a oferecer títulos, aplicações, com a finalidade de captar estes recursos, para aplicações e investimentos.
Por exemplo, se uma multinacional manda USD 10 Milhões para aporte de capital em uma subsidiária no Brasil, forçosamente, a subsidiária brasileira tem que vender estes recursos no mercado, transformar em reais e depositar em moeda corrente local, já se a minha sugestão fosse implementada, a subsidiária poderia manter estes recursos depositados em dólar e, a medida que fosse realizando os gastos, ela venderia o montante necessário, transformaria em reais e depositaria em conta, podendo utilizar o melhor momento econômico, ou seja, uma cotação mais favorecida.
Uma medida complementar, poderia ser a permissão para que as empresas importadoras aproveitassem a cotação favorecida do dólar, comprassem a moeda no mercado, depositassem em uma conta corrente em moeda estrangeira, para usar esses recursos no pagamento de futuras importações.
Há quem possa dizer que existem instrumentos financeiros para as empresas garantirem as cotações, os tais contratos de swap, mas, todos sabemos que estes contratos atendem basicamente as necessidades dos grandes exportadores e instituições financeiras, mas não é uma ferramenta operacional para os médios e pequenos importadores, além disso, por se tratar de contrato futuro, o "peso" efetivo desses contratos na cotação diária é quase homeopático.
Com essas medidas sugeridas, conseguiríamos uma substancial redução na oferta de dólares no mercado, bem como, conseguiríamos criar um novo mercado comprador, tudo isso, no mercado à vista, portanto, teríamos um efeito muito mais tangível.
Quando um exportador recebe pelas mercadorias que vendeu, todos os dólares enviados, obrigatoriamente, devem ser vendidos no mercado, transformado em reais, que serão depositados na conta do exportador, no Brasil, sendo que apenas 30% do valor das exportações podem ser mantidos no exterior para pagamentos de despesas realizadas no exterior.
Da mesma forma, um importador, para pagar as mercadorias que comprou, tem que comprar dólares no mercado, transformar reais em dólar, e remeter os dólares comprados ao exterior. Mesmo que este importador seja também um exportador, ele só pode usar no máximo o valor de 30% das exportações deixados no exterior para custear suas importações.
Portanto, mesmo quando o exportador não precisa dos "reais", ele não pode manter os dólares no país, para vender no mercado interno quando for conveniente, ou para pagar suas importações, quando for o caso.
Apenas algumas poucas categorias de empresas podem ter contas em moeda estrangeira dentro do Brasil, portanto, considerando o superávit comercial brasileiro, há uma oferta forçada de dólares no mercado interno, já que as empresas são obrigadas a vender os dólares.
A minha sugestão é que todas as empresas exportadoras, bem como as subsidiárias de empresas estrangeiras, sem maiores burocracias, sejam autorizadas a ter contas em moedas estrangeiras no Brasil, que estes recursos possam ser aplicados no exterior, tanto pelas instituições financeiras locais, quanto pelos próprios detentores dos recursos, além disso, que as instituições financeiras locais sejam autorizadas a oferecer títulos, aplicações, com a finalidade de captar estes recursos, para aplicações e investimentos.
Por exemplo, se uma multinacional manda USD 10 Milhões para aporte de capital em uma subsidiária no Brasil, forçosamente, a subsidiária brasileira tem que vender estes recursos no mercado, transformar em reais e depositar em moeda corrente local, já se a minha sugestão fosse implementada, a subsidiária poderia manter estes recursos depositados em dólar e, a medida que fosse realizando os gastos, ela venderia o montante necessário, transformaria em reais e depositaria em conta, podendo utilizar o melhor momento econômico, ou seja, uma cotação mais favorecida.
Uma medida complementar, poderia ser a permissão para que as empresas importadoras aproveitassem a cotação favorecida do dólar, comprassem a moeda no mercado, depositassem em uma conta corrente em moeda estrangeira, para usar esses recursos no pagamento de futuras importações.
Há quem possa dizer que existem instrumentos financeiros para as empresas garantirem as cotações, os tais contratos de swap, mas, todos sabemos que estes contratos atendem basicamente as necessidades dos grandes exportadores e instituições financeiras, mas não é uma ferramenta operacional para os médios e pequenos importadores, além disso, por se tratar de contrato futuro, o "peso" efetivo desses contratos na cotação diária é quase homeopático.
Com essas medidas sugeridas, conseguiríamos uma substancial redução na oferta de dólares no mercado, bem como, conseguiríamos criar um novo mercado comprador, tudo isso, no mercado à vista, portanto, teríamos um efeito muito mais tangível.
Folha de S.Paulo - Para FMI, real forte reflete avanços do país - 25/05/2007
Folha de S.Paulo - Para FMI, real forte reflete avanços do país - 25/05/2007: "Para FMI, real forte reflete avanços do país
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) concluiu a visita de duas semanas ao Brasil e afirmou que a valorização do real reflete a melhora da economia brasileira.
Segundo o representante do fundo no país, Max Alier, o saldo da balança comercial, os avanços na composição da dívida pública, a queda do risco-país e a reclassificação do Brasil pelas agências internacionais favorecem a entrada de investidores estrangeiros, provocando desvalorização do dólar.
O FMI avalia a política monetária do Banco Central como 'bem sucedida' no controle da inflação."
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) concluiu a visita de duas semanas ao Brasil e afirmou que a valorização do real reflete a melhora da economia brasileira.
Segundo o representante do fundo no país, Max Alier, o saldo da balança comercial, os avanços na composição da dívida pública, a queda do risco-país e a reclassificação do Brasil pelas agências internacionais favorecem a entrada de investidores estrangeiros, provocando desvalorização do dólar.
O FMI avalia a política monetária do Banco Central como 'bem sucedida' no controle da inflação."
29 Março 2007
O mandato dos deputados é do Partido, do Candidato ou do POVO?
Não conheço detalhes sobre a decisão do TSE que considerou o mandato eletivo dos deputados como de propriedade dos partidos, mas, independente de qualquer análise mais profunda, foi uma decisão importante porque, ao menos, podemos identificar quem está de cada lado do balcão.
Mal saiu a decisão, ainda pouco se pode analisar sobre as influências práticas na vida política do país, e já temos algumas feras das nossa política se manifestando contrariamente, articulando proposições de leis que restaurem o “status quo”.
Não deveríamos esperar nada de diferente, afinal, que atração estranha tem esse tal de PR que insuflou a sigla de forma inexplicável? Será que essa nova legenda tem um conteúdo programático tão bom que as nossas melhores cabeças da política decidiram abraçar a causa?
É óbvio que as razões não são tão nobres assim, por isso, num primeiro momento, eu daria razão aos partidos que provocaram esta decisão, entretanto, como minha memória ainda é um pouco confiável, lembro-me que há pouco tempo, quando estes mesmos partidos estavam no poder, usavam o mesmo expediente, talvez numa escala menor, mas não é o tamanho nem o valor do bem roubado que diz se o ladrão é mais ou menos ladrão.
Eu acho que a decisão do TSE é acertada, entretanto, acredito que esta decisão não pode ser uma camisa de força, obrigando a pessoa a permanecer o resto da vida num partido que não tem mais afinidades, ou abdicar do mandato, dessa forma, entendo que deveria haver uma janela, antes das eleições, ou seja, uns três meses antes da data limite para a inscrição dos candidatos, aos que estejam cumprindo mandato, deveria ser dada a oportunidade de trocar de partido, para que pudessem, na próxima eleição, disputar pelo partido que lhe convier.
Esta decisão também é um pouco controversa, afinal, o que aconteceria com um governador ou prefeito, ou até mesmo um presidente, que resolvesse mudar de partido? Haveria novas eleições? Assumiria o vice? Assumiria o segundo colocado?
De qualquer forma, essa decisão tem o condão de colocar o tema na pauta das discussões políticas, ou seja, cada um vai ter que mostrar a cara e dizer o que pensa, afinal, sempre se ouve falar da reforma política, mas nenhum político, nenhuma agremiação, se presta a enfrentar os equívocos e tocar a reforma para frente, portanto, nada mais justo que, a Justiça Eleitoral, e seu modo e dentro das suas limitações, vá fazendo a reforma política.
Mal saiu a decisão, ainda pouco se pode analisar sobre as influências práticas na vida política do país, e já temos algumas feras das nossa política se manifestando contrariamente, articulando proposições de leis que restaurem o “status quo”.
Não deveríamos esperar nada de diferente, afinal, que atração estranha tem esse tal de PR que insuflou a sigla de forma inexplicável? Será que essa nova legenda tem um conteúdo programático tão bom que as nossas melhores cabeças da política decidiram abraçar a causa?
É óbvio que as razões não são tão nobres assim, por isso, num primeiro momento, eu daria razão aos partidos que provocaram esta decisão, entretanto, como minha memória ainda é um pouco confiável, lembro-me que há pouco tempo, quando estes mesmos partidos estavam no poder, usavam o mesmo expediente, talvez numa escala menor, mas não é o tamanho nem o valor do bem roubado que diz se o ladrão é mais ou menos ladrão.
Eu acho que a decisão do TSE é acertada, entretanto, acredito que esta decisão não pode ser uma camisa de força, obrigando a pessoa a permanecer o resto da vida num partido que não tem mais afinidades, ou abdicar do mandato, dessa forma, entendo que deveria haver uma janela, antes das eleições, ou seja, uns três meses antes da data limite para a inscrição dos candidatos, aos que estejam cumprindo mandato, deveria ser dada a oportunidade de trocar de partido, para que pudessem, na próxima eleição, disputar pelo partido que lhe convier.
Esta decisão também é um pouco controversa, afinal, o que aconteceria com um governador ou prefeito, ou até mesmo um presidente, que resolvesse mudar de partido? Haveria novas eleições? Assumiria o vice? Assumiria o segundo colocado?
De qualquer forma, essa decisão tem o condão de colocar o tema na pauta das discussões políticas, ou seja, cada um vai ter que mostrar a cara e dizer o que pensa, afinal, sempre se ouve falar da reforma política, mas nenhum político, nenhuma agremiação, se presta a enfrentar os equívocos e tocar a reforma para frente, portanto, nada mais justo que, a Justiça Eleitoral, e seu modo e dentro das suas limitações, vá fazendo a reforma política.
14 Abril 2005
Nepotismo, um mal de verdade ou pura hipocrisia ?
A imprensa escrita e os jornais televisivos deram bastante destaque à aprovação em uma comissão da Câmara dos Deputados do projeto que, em tese, acaba com o nepotismo. Ledo engano, isso nunca vai acabar, o máximo que se pode conseguir é minimizar o nepotismo direto, aquele em que o "chefe" abriga diretamente em sua bolha de poder os competentes parentes.
Competentes porque esta é a explicação unânime que todos dão para a contratação de parentes, o problema é que da mesma forma que é difícil acreditar que todos sejam competentes, também, por outro lado, é impossível provar que todos são incompetentes.
Talvez falte coragem para que se assuma a verdade, quem sabe ficaria até mais bonito dizer que está contratando a mulher, o filho, o cunhado, etc... porque quer ajudá-lo, oferecer-lhe um emprego, de fato.
Vejamos bem, os políticos são a expressão da média da população brasileira, ou seja, o brasileiro, na média, é um defensor do nepotismo. Pratica sem saber do que se trata.
Por exemplo, um senhor, pai de família, honradíssimo, fica sabendo que na empresa em que trabalha abriu uma vaga para recepcionista e ele, por qualquer razão, é muito íntimo da pessoa responsável pela contratação, então, ele se dirige para a referida pessoa e pede para dar uma oportunidade para a filha dele. Nesse ato, todos enxergamos uma atitude magnânima, não há nada de errado em pedir um emprego para a filha, entretanto, falando de forma nua e crua, quantas outras recepcionistas melhor preparadas e possivelmente com mais necessidade do emprego foram preteridas em razão de não ter havido um processo de seleção?
A sociedade brasileira é praticante contumaz do nepotismo privado, sempre queremos levar alguma vantagem quando temos que tratar com alguma entidade que do outro lado do balcão tenhamos um parente, seja para cortar a fila, seja para pegar o pão mais fresquinho, o camarão maior, enfim, são fartos os exemplos, e não ficamos nenhum pouco ruborizado com isso, pelo contrário, até fazemos questão de contar vantagem do feito.
A questão do nepotismo público é grave não pelo nepotismo em si, mas pela constatação do desperdício que são estes cargos, porque, sejam os indicados parentes ou não, está cabalmente demonstrada a inutilidade dos mesmos. Essa inutilidade é comprovada, paradoxalmente, justamente pelo nepotismo, porque o deputado emprega a mulher dele como chefe de gabinete, mas ninguém nunca a viu por lá. O filho é dono de outro cargo, mas nunca foi à Brasília.
Então, o que se precisa avaliar, com imparcialidade, é a real necessidade de tantos cargos, tantos assessores, se essa profusão exponencial de cargos de confiança tem alguma serventia e cortar na carne, no bolso, seja onde for.
No fundo no fundo, se um cargo é realmente necessário, como um chefe de gabinete, se este cargo precisa ser ocupado por alguém de confiança, até acho justo que devido o grau de vulnerabilidade da função, seja possível indicar um parente, porque talvez seja essa pessoa a única em que ele possa confiar de forma a não envolvê-lo em interesses escusos, entretanto, o trabalho deveria ficar evidentemente comprovado.
A questão está em separar o joio do trigo, como se poderia fazer para identificar os casos de nepotismo onde o beneficiado não trabalha de fato e os casos onde o empregado exerce com regularidade seu trabalho? É quase uma missão impossível, então, talvez nesse caso, a bem da defesa do erário, que se jogue a água suja e o bebê, fazer o quê?
Competentes porque esta é a explicação unânime que todos dão para a contratação de parentes, o problema é que da mesma forma que é difícil acreditar que todos sejam competentes, também, por outro lado, é impossível provar que todos são incompetentes.
Talvez falte coragem para que se assuma a verdade, quem sabe ficaria até mais bonito dizer que está contratando a mulher, o filho, o cunhado, etc... porque quer ajudá-lo, oferecer-lhe um emprego, de fato.
Vejamos bem, os políticos são a expressão da média da população brasileira, ou seja, o brasileiro, na média, é um defensor do nepotismo. Pratica sem saber do que se trata.
Por exemplo, um senhor, pai de família, honradíssimo, fica sabendo que na empresa em que trabalha abriu uma vaga para recepcionista e ele, por qualquer razão, é muito íntimo da pessoa responsável pela contratação, então, ele se dirige para a referida pessoa e pede para dar uma oportunidade para a filha dele. Nesse ato, todos enxergamos uma atitude magnânima, não há nada de errado em pedir um emprego para a filha, entretanto, falando de forma nua e crua, quantas outras recepcionistas melhor preparadas e possivelmente com mais necessidade do emprego foram preteridas em razão de não ter havido um processo de seleção?
A sociedade brasileira é praticante contumaz do nepotismo privado, sempre queremos levar alguma vantagem quando temos que tratar com alguma entidade que do outro lado do balcão tenhamos um parente, seja para cortar a fila, seja para pegar o pão mais fresquinho, o camarão maior, enfim, são fartos os exemplos, e não ficamos nenhum pouco ruborizado com isso, pelo contrário, até fazemos questão de contar vantagem do feito.
A questão do nepotismo público é grave não pelo nepotismo em si, mas pela constatação do desperdício que são estes cargos, porque, sejam os indicados parentes ou não, está cabalmente demonstrada a inutilidade dos mesmos. Essa inutilidade é comprovada, paradoxalmente, justamente pelo nepotismo, porque o deputado emprega a mulher dele como chefe de gabinete, mas ninguém nunca a viu por lá. O filho é dono de outro cargo, mas nunca foi à Brasília.
Então, o que se precisa avaliar, com imparcialidade, é a real necessidade de tantos cargos, tantos assessores, se essa profusão exponencial de cargos de confiança tem alguma serventia e cortar na carne, no bolso, seja onde for.
No fundo no fundo, se um cargo é realmente necessário, como um chefe de gabinete, se este cargo precisa ser ocupado por alguém de confiança, até acho justo que devido o grau de vulnerabilidade da função, seja possível indicar um parente, porque talvez seja essa pessoa a única em que ele possa confiar de forma a não envolvê-lo em interesses escusos, entretanto, o trabalho deveria ficar evidentemente comprovado.
A questão está em separar o joio do trigo, como se poderia fazer para identificar os casos de nepotismo onde o beneficiado não trabalha de fato e os casos onde o empregado exerce com regularidade seu trabalho? É quase uma missão impossível, então, talvez nesse caso, a bem da defesa do erário, que se jogue a água suja e o bebê, fazer o quê?
06 Abril 2005
A morte do Papa
Este não poderia deixar meu primeiro tema, afinal, qualquer que seja a mídia, este é o assunto predominante. Tem assunto para mais de metro de blog, mas eu vou me concentrar apenas num aspecto da morte do Papa que, a bem da verdade, pode ser aplicado a qualquer outro simples mortal.
Eu tenho uma formação cristã, embora não seja praticante de qualquer igreja ou religião, e aprendi desde sempre que você deve respeitar o próximo como a si mesmo, em vida, mas, o que mais se vê são as pessoas serem respeitadas somente após a morte.
É o caso do Papa que, embora muito respeitado em vida, após sua morte, sua respeitabilidade entre os mais diversos credos, pessoas, países, organizações, etc... tem se multiplicado de forma imensurável. Muitas pessoas que perderam a oportunidade de respeitá-lo em vida agora choram copiosamente sua morte.
Fidel Castro foi a uma missa em memória do Papa, sua primeira missa em décadas, mas nunca ouviu uma só palavra do Papa sobre os direitos humanos, sobre a liberdade de expressão e religião. George Bush se apressou em emitir uma nota de condolências, exaltando as virtudes do Papa, compareceu o mais rápido que pode ao velório, mas nunca deu ouvidos a uma só palavra do Papa contrária às gerras. Até grupos terroristas enviaram condolências, da mesma forma, nunca ouviram o Papa sobre as vítimas inocentes.
Da mesma forma que isto ocorre com a morte do Papa, guardadas as devidas proporções, acontece diariamente com milhares de pessoas simples, que depois de mortas, passam a ser respeitadíssimas pelo filho, que nunca deu ouvidos a qualquer conselho do pai, pelo marido que nunca respeitou o casamento, enfim, acho que está mais do que na hora de enterrarmos os mortos e respeitarmos e reverenciarmos os vivos, aqueles por quem ainda podemos fazer alguma coisa e que alguma coisa ainda podem fazer por nós. Apaguem-se as velas !
Eu tenho uma formação cristã, embora não seja praticante de qualquer igreja ou religião, e aprendi desde sempre que você deve respeitar o próximo como a si mesmo, em vida, mas, o que mais se vê são as pessoas serem respeitadas somente após a morte.
É o caso do Papa que, embora muito respeitado em vida, após sua morte, sua respeitabilidade entre os mais diversos credos, pessoas, países, organizações, etc... tem se multiplicado de forma imensurável. Muitas pessoas que perderam a oportunidade de respeitá-lo em vida agora choram copiosamente sua morte.
Fidel Castro foi a uma missa em memória do Papa, sua primeira missa em décadas, mas nunca ouviu uma só palavra do Papa sobre os direitos humanos, sobre a liberdade de expressão e religião. George Bush se apressou em emitir uma nota de condolências, exaltando as virtudes do Papa, compareceu o mais rápido que pode ao velório, mas nunca deu ouvidos a uma só palavra do Papa contrária às gerras. Até grupos terroristas enviaram condolências, da mesma forma, nunca ouviram o Papa sobre as vítimas inocentes.
Da mesma forma que isto ocorre com a morte do Papa, guardadas as devidas proporções, acontece diariamente com milhares de pessoas simples, que depois de mortas, passam a ser respeitadíssimas pelo filho, que nunca deu ouvidos a qualquer conselho do pai, pelo marido que nunca respeitou o casamento, enfim, acho que está mais do que na hora de enterrarmos os mortos e respeitarmos e reverenciarmos os vivos, aqueles por quem ainda podemos fazer alguma coisa e que alguma coisa ainda podem fazer por nós. Apaguem-se as velas !
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