30 Maio 2007

Sugestão para estabilizar a cotação do Dólar

Todos os governantes brasileiros sempre gostaram de apregoar que o país tem um câmbio livre, flutuante, mas esquecem de citar um dos principais entraves cambiais existentes no Brasil, que é a centralização.

Quando um exportador recebe pelas mercadorias que vendeu, todos os dólares enviados, obrigatoriamente, devem ser vendidos no mercado, transformado em reais, que serão depositados na conta do exportador, no Brasil, sendo que apenas 30% do valor das exportações podem ser mantidos no exterior para pagamentos de despesas realizadas no exterior.

Da mesma forma, um importador, para pagar as mercadorias que comprou, tem que comprar dólares no mercado, transformar reais em dólar, e remeter os dólares comprados ao exterior. Mesmo que este importador seja também um exportador, ele só pode usar no máximo o valor de 30% das exportações deixados no exterior para custear suas importações.

Portanto, mesmo quando o exportador não precisa dos "reais", ele não pode manter os dólares no país, para vender no mercado interno quando for conveniente, ou para pagar suas importações, quando for o caso.

Apenas algumas poucas categorias de empresas podem ter contas em moeda estrangeira dentro do Brasil, portanto, considerando o superávit comercial brasileiro, há uma oferta forçada de dólares no mercado interno, já que as empresas são obrigadas a vender os dólares.

A minha sugestão é que todas as empresas exportadoras, bem como as subsidiárias de empresas estrangeiras, sem maiores burocracias, sejam autorizadas a ter contas em moedas estrangeiras no Brasil, que estes recursos possam ser aplicados no exterior, tanto pelas instituições financeiras locais, quanto pelos próprios detentores dos recursos, além disso, que as instituições financeiras locais sejam autorizadas a oferecer títulos, aplicações, com a finalidade de captar estes recursos, para aplicações e investimentos.

Por exemplo, se uma multinacional manda USD 10 Milhões para aporte de capital em uma subsidiária no Brasil, forçosamente, a subsidiária brasileira tem que vender estes recursos no mercado, transformar em reais e depositar em moeda corrente local, já se a minha sugestão fosse implementada, a subsidiária poderia manter estes recursos depositados em dólar e, a medida que fosse realizando os gastos, ela venderia o montante necessário, transformaria em reais e depositaria em conta, podendo utilizar o melhor momento econômico, ou seja, uma cotação mais favorecida.

Uma medida complementar, poderia ser a permissão para que as empresas importadoras aproveitassem a cotação favorecida do dólar, comprassem a moeda no mercado, depositassem em uma conta corrente em moeda estrangeira, para usar esses recursos no pagamento de futuras importações.

Há quem possa dizer que existem instrumentos financeiros para as empresas garantirem as cotações, os tais contratos de swap, mas, todos sabemos que estes contratos atendem basicamente as necessidades dos grandes exportadores e instituições financeiras, mas não é uma ferramenta operacional para os médios e pequenos importadores, além disso, por se tratar de contrato futuro, o "peso" efetivo desses contratos na cotação diária é quase homeopático.

Com essas medidas sugeridas, conseguiríamos uma substancial redução na oferta de dólares no mercado, bem como, conseguiríamos criar um novo mercado comprador, tudo isso, no mercado à vista, portanto, teríamos um efeito muito mais tangível.

Folha de S.Paulo - Para FMI, real forte reflete avanços do país - 25/05/2007

Folha de S.Paulo - Para FMI, real forte reflete avanços do país - 25/05/2007: "Para FMI, real forte reflete avanços do país

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) concluiu a visita de duas semanas ao Brasil e afirmou que a valorização do real reflete a melhora da economia brasileira.
Segundo o representante do fundo no país, Max Alier, o saldo da balança comercial, os avanços na composição da dívida pública, a queda do risco-país e a reclassificação do Brasil pelas agências internacionais favorecem a entrada de investidores estrangeiros, provocando desvalorização do dólar.
O FMI avalia a política monetária do Banco Central como 'bem sucedida' no controle da inflação."

Folha de S.Paulo - Meirelles defende atuação do BC no câmbio - 25/05/2007

Folha de S.Paulo - Meirelles defende atuação do BC no câmbio - 25/05/2007