Este não poderia deixar meu primeiro tema, afinal, qualquer que seja a mídia, este é o assunto predominante. Tem assunto para mais de metro de blog, mas eu vou me concentrar apenas num aspecto da morte do Papa que, a bem da verdade, pode ser aplicado a qualquer outro simples mortal.
Eu tenho uma formação cristã, embora não seja praticante de qualquer igreja ou religião, e aprendi desde sempre que você deve respeitar o próximo como a si mesmo, em vida, mas, o que mais se vê são as pessoas serem respeitadas somente após a morte.
É o caso do Papa que, embora muito respeitado em vida, após sua morte, sua respeitabilidade entre os mais diversos credos, pessoas, países, organizações, etc... tem se multiplicado de forma imensurável. Muitas pessoas que perderam a oportunidade de respeitá-lo em vida agora choram copiosamente sua morte.
Fidel Castro foi a uma missa em memória do Papa, sua primeira missa em décadas, mas nunca ouviu uma só palavra do Papa sobre os direitos humanos, sobre a liberdade de expressão e religião. George Bush se apressou em emitir uma nota de condolências, exaltando as virtudes do Papa, compareceu o mais rápido que pode ao velório, mas nunca deu ouvidos a uma só palavra do Papa contrária às gerras. Até grupos terroristas enviaram condolências, da mesma forma, nunca ouviram o Papa sobre as vítimas inocentes.
Da mesma forma que isto ocorre com a morte do Papa, guardadas as devidas proporções, acontece diariamente com milhares de pessoas simples, que depois de mortas, passam a ser respeitadíssimas pelo filho, que nunca deu ouvidos a qualquer conselho do pai, pelo marido que nunca respeitou o casamento, enfim, acho que está mais do que na hora de enterrarmos os mortos e respeitarmos e reverenciarmos os vivos, aqueles por quem ainda podemos fazer alguma coisa e que alguma coisa ainda podem fazer por nós. Apaguem-se as velas !
06 Abril 2005
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